????? - FALHA IMUNOLÓGICA QUE CAUSA ABORTO DE REPETIÇÃO PODE SER TRATADA
Artigo do Dr. Ricardo Barini veiculado no site www.neusaleoncine.com.br
Aproximadamente 2% a 5% dos casais em idade fértil sofrem abortos de repetição, que se caracteriza pela perda recorrente da gestação antes de completadas 20 semanas. Uma, duas, três ou mais vezes. A situação é conhecida de muitas mulheres com dificuldade para engravidar e levar a gestação até o final: o sonho da maternidade é sempre adiado com grande sofrimento físico para a mulher e emocional para o casal.
Por que isso acontece? Em muitas mulheres que experimentam falhas de implantação do feto, o sistema imunológico produz uma resposta do tipo “agressora” e não “protetora” em relação à gravidez. Para entender como funciona esse mecanismo, é preciso conhecer a função das “NK”, sigla em inglês para natural killer - as células “assassinas naturais”. Elas são as “células patrulheiras”, que verificam se tudo está ok do ponto de vista imunológico e liquidam sumariamente as células que não pertencem ao nosso corpo e que, por essa razão, desencadeiam uma resposta imunológica no organismo. Assim, algumas mulheres, ao persistirem em engravidar, acabam promovendo uma espécie de irritação do sistema imunológico, que fica hiperativo. Na medida em que entra em contato com células embrião, elas desencadeiam uma resposta automática de liberação de substâncias que promovem a morte do embrião. É isso que chamamos de uma hiperatividade das células NK.
O problema começa na união de dois organismos que não se reconhecem mutuamente. Há casais que formam um par inadequado do ponto de vista imunológico e produzem embriões que são interpretados pelo organismo da mulher com objetos estranhos ao seu corpo, por não conseguirem desenvolver a resposta normal de adaptação imunológica na gravidez. Estes embriões são eliminados e, a cada nova tentativa de gravidez, estas alterações são agravadas. Isto ocorre mesmo quando belos embriões são produzidos nos tubos de ensaio em fertilizações in vitro.
Na gravidez que evolui normalmente, a mulher entra em contato com informações de origem paterna. Só que, ao invés de produzir uma resposta de agressão, ela desenvolve uma adaptação fisiológica para que não aconteça a agressão. Qual é a chave nesta história? Uma fração molecular especial chamada HLA-G. É essa molécula que entra em contato com o sistema imune materno e dá a informação: “Olha, isso que está crescendo aqui dentro é uma gravidez, não é uma doença, não é uma célula cancerígena.”
Esse problema imunológico pode ser tratado com vacinas que têm permitido a um número crescente de mulheres viver as alegrias da maternidade. Verificamos, por uma série de exames, se a mulher produz anticorpos contra as células do marido. Uma das possibilidades é coletar sangue do marido, fracioná-lo, separando os leucócitos (células brancas) das hemácias (células vermelhas). Estas são descartadas. As primeiras são submetidas a um processo de purificação, adicionadas a soro fisiólogico e injetadas na mulher por via intradérmica. Fazemos duas sessões dessa imunização e confirmamos a resposta ao tratamento por meio de novos exames.
O grupo que coordeno foi pioneiro, no Brasil, na introdução de vacinas que corrigem o fator imunológico, com índice de sucesso em 85% dos casais. Atendemos em clínicas em Campinas e São Paulo e no ambulatório da UNICAMP, além de consultórios em Salvador e Recife.
®2006-2007 Dr. Ricardo Barini- Todos os direitos reservados.
Consultório Campinas-SP: Rua Antonio Lapa 280 sala 305,
19 3294.5807 / Consultório São Paulo-SP: Rua do Rocio 423 Cj.312, Vila Olímpia CEP 04552-000 Fone/fax: 11 3846.2409 3846.7335