????? - VACINA DO FATOR IMUNOLÓGICO IMPEDE ABORTO DE REPETIÇÃO
Cecília Dionizio Diário da Região - S.J. Rio Preto
Um estudo que será publicado, em breve, numa revista científica, deverá trazer um alento para mulheres que querem ser mães e não conseguem sustentar a gravidez até o fim, a exemplo do que acontece com a empresária M.E.R., 42 anos, que há dez anos espera a oportunidade de ter um filho. Mas, a cada sangramento, ocorre uma decepção. “Primeiro foi aquela luta porque eu não conseguia ficar grávida. Depois partí para a fertilização in vitro e aí começou um outro desespero, pois não conseguia segurar. Foram quatro tentativas e em todas, antes de chegar ao terceiro mês, perdia. Agora estou no quinto mês, e espero finalmente que meu bebê vingue”, diz. Embora não tenha recorrido à nova técnica do professor Ricardo Barini, ginecologista e professor livre docente da Disciplina de Obstetrícia do Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, um dos pioneiros no tratamento imunológico com vacinas para conter a gestação, a empresária conta que já fez de tudo, e que a situação só piorava a cada tentativa. Daí a importância do trabalho, que será tema da publicação da São PauloMedical Journal/Revista Paulista de Medicina e que traz o resultado dos estudos realizados por ele e sua equipe no tratamento de casais inférteis. O médico explica que a gravidez, quando interrompida naturalmente, no chamado aborto de repetição, leva a uma resposta imunológica de agressão às novas gestações. E é nisto que a vacina age ao permitir que a mulher passe a produzir anticorpos que irão proteger a criança. "Há casais que formam um par inadequado do ponto de vista imunológico e produzem embriões que são interpretados pelo organismo da mulher como objetos estranhos ao seu corpo. Estes embriões são eliminados e a cada nova tentativa de gravidez estas alterações são agravadas. Isto ocorre mesmo quando belos embriões são produzidos nos tubos de ensaio emfertilizações in vitro", explica. Todavia, quem acalenta o projeto de ser mãe, não desiste no primeiro obstáculo, e muitas outras só partem para a adoção, por exemplo, depois de um diagnóstico concreto de que não há mesmo condições biológicas para ter uma criança. Segundo o médico, o estudo mostrou que mais de 80% dos casais que se submeteram à vacina para corrigir o fator imunológico obtiveram êxito. O estudo, realizado no Serviço de Ambulatório de Aborto Recorrente da Divisão de Reprodução Humana da Unicamp, coordenado pelo médico, deu às mulheres que até então eram inférteis e já sem esperanças, mesmo após terem se submetido aos métodos de fertilização, a certeza de que é preciso muita determinação, além de tecnologia, para ser mãe. Isto porque de 2% a 5% dos casais em idade reprodutiva não conseguiam vencer o aborto de repetição e geravam mais e mais resposta agressora do organismo. O médico explica que a vacina, feita a partir dos linfócitos (glóbulos brancos) do marido, permite que a mulher passe a produzir anticorpos que irão proteger o bebê. "Com essa vacina, as chances de ocorrer uma gravidez de sucesso chegam a 81%. Sem ela, caem para 19%", informa Barini. Para se submeter ao tratamento é preciso antes que o casal faça uma bateria de exames, para ajudar a identificar as causas das perdas. "É preciso ajudá-las a compreender seu problema e oferecer o tratamento imunológico adequado", afirma o médico. As pacientes atendidas pelo ginecologista têm em média 38 anos, com histórico de pelo menos quatro gestações perdidas. São mulheres que adiaram o sonho da maternidade e o risco de não ter filhos agrava o estresse e o sofrimento pelas perdas repetidas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (Sbra), a infertilidade é um problema de saúde pública que atinge todas as classes sociais e cujo principal empecilho ainda é a desinformação. Daí o sucesso do site www.caminhosdagravidez.com.br, do Grupo de Assistência à Concepção (GAC), formado por pacientes e especialistas em infertilidade do mundo todo, que irá auxiliar as pessoas com dúvidas sobre como proceder nestas situações.
CONHEÇA MELHOR OS DADOS DO ESTUDO A perda espontânea de três ou mais gestações subseqüentes é chamada aborto espontâneo recorrente, e está relacionada com alterações genéticas, anatômicas, hormonais, infecciosas, imunológicas e outras.
▪ Os fatores imunológicos têm sido amplamente estudados, com bons resultados gestacionais após o tratamento. Mas ainda há muitos casos de aborto espontâneo, de causa desconhecida.
▪ O trabalho da equipe da Unicamp visou identificar as possíveis causas do aborto espontâneo recorrente, isoladas ou associadas, que poderiam predizer o prognóstico gestacional em mulheres submetidas a um protocolo de investigação e tratamento.
▪ O estudo analisou 246 prontuários médicos de mulheres com três ou mais perdas espontâneas sucessivas, entre 1994 e 2003.
▪ O resultado foi que 229 mulheres foram incluídas no estudo. A maior parte delas (41.4%) tinha entre 30 e 34 anos. Foram divididas em dois grupos: 170 evoluíram para parto (grupo 1) e 59 para aborto (grupo 2).
▪ O fator imunológico, principalmente o auto-imune, foi o mais encontrado (93,9%).
▪ Mulheres com fator auto-imune isolado obtiveram melhores resultados gestacionais (77.7% de partos) do que aquelas com a associação de outros fatores. A presença do fator auto-imune aumenta a chance de aborto.
▪ Mulheres com 40 anos ou mais apresentaram a mais alta taxa de aborto espontâneo e o pior prognóstico gestacional. Conclusão: A idade avançada, associada a dois ou mais fatores imunológicos conferiu o pior prognóstico gestacional às mulheres avaliadas.
QUANDO A MENSTRUAÇÃO APONTA A INFERTILIDADE Na entrevista ao Diário, o médico Ricardo Barini explica em que situações é importante buscar ajuda médica a partir do fluxo menstrual irregular, como preventivo de uma possível infertilidade. Ao tratar precocemente, será mais fácil reverter um futuro quadro de aborto de repetição, por exemplo.
Fluxo Menstrual Fluxo menstrual é sinônimo de problema quando vem em grande quantidade (seja em número de dias de fluxo ou no volume de sangue perdido) ou quando desaparece. Outra razão para se pensar em alterações é a presença de cólicas fortes, que impedem o exercício das atividades normais no dia-a-dia. Sempre que pensarmos nos problemas ligados à menstruação, é preciso saber se há um problema no útero que seja responsável pelo aumento ou redução do fluxo ou se o problema está no controle hormonal do ciclo.
Exames Um exame de ultrassom pélvico transvaginal identifica se há problema no endométrio (os pólipos são os mais freqüentes) ou se um mioma que tenha crescido para dentro da cavidade uterina está provocando um aumento do volume de sangramento. Dr. Barini explica que os exames de sangue podem identificar um problema hormonal que justifique a alteração da menstruação que, eventualmente, esteja relacionado à dificuldade de ovular. “São dosagens de hormônios produzidos pela glândula hipófise e que comandam os ovários, ou que, indiretamente, interferem com a ovulação, especialmente a prolactina e os hormônios que regulam a função da tireóide (os hormônios tireo-estimulante e tiroideano, este também chamado de t-4 livre).
Miomas Os miomas também podem ser identificados a partir do fluxo menstrual, às vezes abundante e initerrupto. É que quando há miomas eles aumentam a superfície interna da cavidade uterina, pois crescem para dentro do útero. Mas, ao crescer para fora também, podem provocar aumento significativo do volume uterino e, com isto, da intensidade do fluxo menstrual.
DSTs Algumas infecções do endométrio, como a provocada pelas bactérias Clamydia ou Mycoplasma, também podem levar a sangramentos não muito abundantes, mas geralmente irregulares, que podem ser acompanhados de mau cheiro.
Aborto O sangramento que ocorre relacionado com abortamento acontece por descolamento de parte da placenta da parede uterina. Como está relacionado com a gravidez, tem como antecedente o atraso da menstruação, que faz a mulher suspeitar da gestação. Em casos de abortos provocados, o risco de uma complicação infecciosa não pode ser descartado, uma vez que podem se formar aderências na parede interna do útero, chamadas de sinéquias. Elas levam a uma redução importante do fluxo menstrual quando acometem a maior parte do endométrio. Essa complicação é mais freqüente ainda quando, depois de uma infecção, é necessário uma curetagem uterina para remover restos de placenta ou de material infectado.
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