A depressão pode causar partos prematuros. Isso é o que sugere uma recente pesquisa inglesa, divulgada pelo Instituto de Psiquiatria Britânico. O estudo inédito mostrou que gestantes deprimidas produzem mais corticotropina (CRH), hormônio relacionado ao estresse e que pode influenciar no parto. Sobre o assunto, ouvimos o ginecologista e obstetra Ricardo Barini, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A pesquisa observou dois grupos. O primeiro formado por 25 gestantes diagnosticadas com depressão profunda e o segundo com 35 gestantes saudáveis. O grupo das deprimidas teve seus filhos, em média, dois dias antes do outro grupo. Em três casos, as mães tiveram filhos prematuros. A diferença pode ser justificada pelo índice elevado de CRH nas gestantes deprimidas, segundo a psiquiatra Veronica O’Keane, do King’s College London. Mas ela admite que ainda é preciso outros estudos para conclusões precisas.
“Os bebês prematuros podem ter inúmeras complicações, principalmente respiratórias. Há casos em que eles ficam com seqüelas”, afirma Ricardo Barini, que coordena o Programa de Medicina Fetal e Imunologia da Reprodução do Departamento de Tocoginecologia da Unicamp. A pesquisa inglesa sugere ainda que bebês de mães deprimidas têm níveis elevados de cortisol, outro hormônio do estresse.
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