????? - Estudo revela motivos do aborto espontâneo
Agência Brasileira de Notícias de Saúde
Realizado no Ambulatório de Perdas Gestacionais da Unicamp, o primeiro estudo brasileiro que mapeou as causas possíveis de aborto espontâneo recorrente está orientando ginecologistas brasileiros a observarem melhor as causas mais freqüentes de perdas do feto antes de completadas 20 semanas de gravidez. Os pesquisadores analisaram 246 prontuários médicos de mulheres, com três ou mais perdas espontâneas sucessivas, atendidas pelo ambulatório entre 1994 e 2004. A maioria das mulheres tinha entre 30 e 34 anos. O abortamento freqüente está relacionado com alterações imunológicas, genéticas, anatômicas, hormonais e infecciosas.
No grupo de mulheres que abortaram no período estudado, a causa mais freqüente da perda foi o fator imunológico, principalmente o chamado “aloimune” (93,9%), processo de rejeição do feto pelo sistema imunológico da mãe por falta ou baixa produção de anticorpos bloqueadores que protegem as células embrionárias. Outro fator que aumenta a chance de aborto é o “autoimune”. Mulheres com 40 anos ou mais apresentaram a mais alta taxa de aborto espontâneo e o pior prognóstico gestacional. “A idade da mulher, a presença de fatores imunológicos e a associação de dois ou mais alterações diminuem a chance das mulheres chegarem ao final da gravidez e terem o bebê”, diz o ginecologista e obstetra Ricardo Barini.
O médico explica como o fator imunológico dificulta a chance de uma gravidez bem sucedida. “Há casais que formam um par inadequado do ponto de vista imunológico e produzem embriões que são interpretados pelo organismo da mulher como objetos estranhos ao seu corpo. Tais embriões são eliminados e, a cada nova tentativa de gravidez, as alterações são agravadas. Isto ocorre mesmo quando belos embriões são produzidos nos tubos de ensaio em fertilizações in vitro”, afirma. O primeiro passo é realizar uma avaliação cuidadosa para definir o diagnóstico e identificar possíveis causas do erro biológico. “É preciso também ajudá-las a compreender o problema e oferecer tratamento imunológico adequado”, conclui Dr. Barini.
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