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????? - Vacina com sangue do marido evita que mulher sofra aborto
Bruno Folli, do Diário de S. Paulo

A administradora de empresas Beatriz Leal, de 28 anos, está toda coruja com seu filho Lucas, de apenas três meses. Também pudera. Seu desejo de ser mãe já é antigo e enfrentou cinco abortos espontâneos. “Estava a ponto de desistir”, confessa ela. Os primeiros dois abortos, Beatriz ainda aceitou. Mas, depois de casada, ela teve outras três perdas em cerca de cinco meses. Foi a gota d’água. “Fiquei revoltada”, recorda-se. O jeito foi buscar outro ginecologista. “Então descobri que tinha um tipo de incompatibilidade com meu marido”.

Como o casal tem um dos antígenos (elemento do sistema imunológico) muito parecido, o organismo da mãe sempre “enxergava” o feto como uma ameaça, em vez de uma gravidez. O feto era visto como se fosse uma doença. E isso fazia o corpo de Beatriz atacar o próprio bebê, levando ao aborto espontâneo. “Houve uma falta de adaptação imunológica”, diz o ginecologista Ricardo Barini, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

PROBLEMA NÃO É RARO
Isso é menos raro do que se imagina. “Em cada 200 casos, acontece uma vez”, revela Barini. Existem diversos fatores para se ter um aborto espontâneo, a maioria relacionados ao quadro clínico da mulher. Contudo, a candidata a mamãe já deve ficar atenta para a possibilidade de incompatibilidade imunológica com o marido, caso perca um filho.

O tratamento é feito com uma vacina, a chamada vacina do marido. Isso mesmo. É uma injeção personalizada e preparada a partir do sangue do marido. Assim, o sistema imunológico da mulher será “avisado” sobre uma possível gravidez com aquele homem. “A paciente irá reconheceer o marido sob o aspecto imunológico”, detalha o ginecologista.

Essa vacina tem 85% de chances de sucesso. Geralmente duas injeções resolvem o problema, mas há casos em que é preciso mais de um reforço. Então, são dadas mais três injeções, e a mulher passa por um teste que confirma o efeito da vacina. O custo é de R$ 2 mil. Barini alerta que a terapia é contra-indicada se o parceiro tiver doenças transmissíveis pelo sangue, como hepatite B ou C ou HIV/Aids.

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