A situação é conhecida de muitos casais com dificuldade para conseguir alcançar o tão sonhado momento do nascimento do primeiro filho. A gestação é interrompida bruscamente, com um aborto espontâneo que pode se repetir em várias tentativas. Uma das causas mais freqüentes do aborto repetido são as falhas de implantação do feto, quando o sistema imunológico da mulher produz uma resposta do tipo “agressora” e não “protetora” em relação à gravidez.
A boa notícia é que existe um protocolo de tratamento para essas alterações imunológicas que são a principal causa do aborto espontâneo recorrente. Ele tem permitido a um número crescente de mulheres e homens viverem as alegrias da paternidade.
O tratamento é feito com uma vacina especial, produzida com glóbulos brancos do pai do bebê. ´Para acontecer uma adaptação, é necessário que o corpo da mulher produza anticorpos que identifiquem proteínas de origem paterna na superfície do embrião e não mais o rejeite´, explica o ginecologista e obstetra Ricardo Barini, que coordena o Ambulatório de Perdas Gestacionais Recorrentes da Divisão de Reprodução Humana da Unicamp. Chega a 85% o índice de sucesso do tratamento com a vacina feita com os linfócitos do marido.
O aborto de repetição caracteriza-se pela perda recorrente da gestação antes de completadas 20 semanas. Aproximadamente 2% a 5% dos casais em idade reprodutiva, apresentam abortos de repetição, segundo o especialista. Ele coordenou recente pesquisa que envolveu mulheres com três ou mais perdas gestacionais, atendidas no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism/Unicamp), e aponta como causa mais freqüente a rejeição do sistema de defesa do organismo da mãe às características do embrião herdadas do pai.
As pacientes atendidas pelo dr. Barini têm em média 38 anos, com histórico de várias perdas gestacionais. O primeiro passo é realizar os exames necessários à identificação das causas das perdas. “É preciso orientar esses casais sobre a causa do problema que enfrentam para ter seu sonhado seu filho e oferecer o tratamento imunológico adequado.”
Além da Clínica Barini, em Campinas, e do ambulatório na Unicamp, o especialista instalou um consultório no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo, que é uma extensão do atendimento já realizado regularmente, com coleta de material, consultas e tratamento. Depois de ter orientado a especialização de vários ginecologistas, ele criou no final de 2007 o Núcleo de Imunologia da Reprodução Humana (Nidarh), constituindo outros grupos que tratam o problema em Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Florianópolis.
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