Denomina-se aborto quando uma gestão é interrompida antes de completar 20 semanas ou quando o peso do feto morto é inferior a 50 gramas. É chamado aborto de repetição quando o processo acontece naturalmente, de duas a três vezes seguidas.
De acordo com um estudo conduzido por especialistas da Unicamp, a causa dos abortos de repetição é de ordem imunológica, estando o fator aloimune em primeiro lugar. Isso significa que o corpo da mulher identifica o embrião como se ele fosse um intruso e produz uma resposta de defesa, expelindo-o.
Segundo Ricardo Barini, professor de Obstetrícia da Unicamp e coordenador da pesquisa, isso ocorre quando o pai e a mãe do bebê são semelhantes do ponto de vista imunológico. Nesses casos, devido ao excesso de compatibilidade, o organismo da mulher interpreta o embrião como se ele fosse formado de células dela, mas doentes.
Para esses casos, foi desenvolvida uma vacina utilizando os glóbulos brancos do homem, que é injetada na mulher. “A vacina”, explica o obstetra, “faz com que o sistema imunológico da mulher pare de responder de forma defensiva.” A paciente que passa pelo tratamento é submetida a uma série de exames. Em seguida, coleta-se um pouco do sangue de seu companheiro e, com esse material, produz-se a vacina, que é injetada na mulher duas vezes, com um intervalo de quatro semanas entre uma e outra.
Novos exames são feitos para confirmar o efeito da vacina. Se a resposta imunológica for positiva, em dois ou três meses ela deve ser liberada para engravidar.
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