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Cirurgia de retirada de útero não afeta sexualidade
set.2007

 

Cecília Dionizio
Diário da Região (S.J. Rio Preto-SP)

Um espaço que nutre e acolhe um ser pode, quando preciso, ser retirado. Estamos falando do útero doente. Sua retirada, embora indispensável em muitos casos, é cercada de mitos. E não faltam histórias de mulheres que por medo de se tornarem frígidas, se recusem a passar pela cirurgia de histerectomia (retirada do útero), com receio de ter a vida sexual afetada. Na realidade, não há nada que comprove a relação entre um fato e outro, exceto a crença de algumas pacientes. De acordo com o ginecologista e obstetra Ricardo Barini, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), não há risco de que isto aconteça. “As mulheres podem ter conflitos emocionais que se refletem nas queixas pós-cirúrgicas. Há muita confusão entre a sexualidade e a maternidade e, na nossa cultura, a falta de perspectiva para a maternidade pode ser interpretada como a incapacidade para se viver a sexualidade plenamente, o que não é verdade”, diz.

É como se sente a empresária N.N.A.C., 52 anos, que relata ter sido submetida a uma histerectomia radical quando ainda tinha 28 anos. “De lá para cá, nunca mais tive desejo sexual, como antes. Era como se tivesse sido castrada. De fato fui, mas o que me incomodava era não retribuir ao meu marido o mesmo desejo que ele tinha por mim”, afirma. Para o ginecologista Carlos Eduardo Ferreira, da Santa Casa de Rio Preto, especialista nesta área, é importante que a paciente tenha um acompanhamento psicológico se precisar ser submetida a esta cirurgia, uma vez que ela perde a sua função reprodutiva. E, talvez por isto, se sinta tão afetada. No entanto, o ginecologista Ricardo Barini lembra que a causa mais comum da retirada do útero é uma doença benigna denominada de miomatose uterina. “São tumores da parede do útero que cresceram exageradamente entre as terceira e quarta décadas de vida e provocam sangramentos abundantes nas menstruações e, muitas vezes, entre os ciclos regulares”, diz. Todavia, o médico observa também que nem sempre são só as doenças benignas, mas um câncer pode exigir que se retire o órgão, quando o tumor afeta o próprio órgão ou regiões próximas. Dentre as causas estão a dor pélvica crônica (endometriose e doença inflamatória pélvica crônica) que pode justificar a cirurgia.

Por isto, os médicos insistem que não há qualquer justificativa para que a resposta sexual seja diferente com ou sem o útero. “Ainda que durante a resposta orgástica o útero apresente contrações rítmicas semelhantes às contrações dos músculos pélvicos, esta sensação não é perceptível à mulher”, diz o professor da Unicamp. Segundo Barini, no passado alguns médicos tentaram levantar a possibilidade de que a falta do colo uterino modificaria a resposta sexual, seja por redução da produção do muco cervical ou por mudanças nos estímulos sensoriais locais, que poderiam modificar a qualidade da resposta sexual. “Hoje, porém, já está claro que a resposta sexual feminina está concentrada na parte distal da vagina (terço inferior), e no clitóris”, explica. Portanto, se a cirurgia for realizada de forma adequada, por um especialista, e não reduzir demasiadamente o comprimento da vagina por retirada da cúpula vaginal na cirurgia (há casos de câncer mais avançados que às vezes requerem esse procedimento), não há mudanças na sensibilidade, na lubrificação e nem na resposta sexual com a retirada do útero.

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