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Filme expõe dramas e dilemas de mulheres
set.2008

 

Jornal da Unicamp

Filme expõe dramas e dilemas de mulheres
Jornal da Unicamp

Ninguém é a favor do aborto, tampouco a mulher que se submete à prática. Talvez seja esta a principal mensagem do filme O Aborto dos Outros, da diretora Carla Gallo, que estreou no início de setembro em São Paulo e será exibido no próximo dia 25 na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, às 10 horas. Apresentado como “um filme sobre a maternidade, afetividade, intolerância e solidão”, o documentário traz depoimentos de mulheres que viveram a experiência do aborto, da adolescente engravidada por estupro à mãe que descobre a malformação do feto.

As filmagens ocorreram no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) da Unicamp e em mais três hospitais que prestam atendimento para casos previstos em lei, dentro do Programa de Aborto Legal: Hospital Pérola Byington, Unifesp e Hospital do Jabaquara, estes da Capital.

“É um filme que precisa ser visto e comentado, cujo maior mérito está em abordar a problemática do aborto com foco nas mulheres. Ele é duro do ponto de vista emocional, mas mostra com serenidade e clareza que não se trata de uma experiência fácil, mesmo para a mulher opta pelo aborto”, diz o ginecologista e obstetra Ricardo Barini. Ele aparece no documentário realizando o ultrassom e depois a interrupção da gestação de um feto anencéfalo, autorizada por um juiz de Campinas.

O professor Aníbal Faúndes, da FCM, possui 50 anos de experiência no tema e participa do filme também por ter protagonizado a primeira polêmica sobre o aborto de um feto anencéfalo, em 1994. Então na direção do Caism, o médico concedeu entrevista assumindo a defesa de uma professora processada e condenada por aborto em Jundiaí. “Ela foi estuprada pelo ex-marido e engravidou. Eu declarei que teria feito a interrupção da gravidez, visto que está prevista em lei desde 1940”.

Questionado pela jornalista sobre abortos de fetos anencéfalos, não previstos em lei, Faúndes admitiu o procedimento, mesmo que na época ainda não se buscasse o amparo judicial. “Disse que, para alívio da mulher que não suporta a idéia de esperar por uma morte anunciada, interrompíamos a gravidez, já que de nada adiantava a espera. No dia seguinte, a manchete foi ‘Unicamp faz abortos ilegais’. O reitor pediu minha renúncia da diretoria do Caism, mas acabou recuando e abriu um processo administrativo, após receber telefonemas e ler no jornal um editorial e cartas apoiando minha posição”.

Aníbal Faúndes deixa claro, entretanto, que a decisão pelo aborto de um feto com anencefalia era e é apenas da mãe. “Se ela quisesse manter a gravidez, recebia todo o nosso apoio. É este o mal-entendido em relação à proposta em discussão no Supremo: ela não obriga ninguém ao aborto. Outro mal-entendido é que não estamos falando de crianças com deficiência mental – que quando nascem merecem todo o nosso respeito – mas de fetos que simplesmente não viverão fora do útero”.

Entretanto, o pior mal-entendido, lamenta Faúndes, é o de se acreditar que os médicos que apóiam a mulher que deseja antecipar o parto de um feto anencéfalo, sejam a favor do aborto. “Acaba de acontecer, neste dia 10, em Brasília, uma marcha do Movimento Nacional da Cidadania em Defesa da Vida – Brasil sem Aborto. É claro que todos gostaríamos de ter um Brasil e um mundo sem aborto, mas não conseguiremos isto com marchas, nem condenando a mulher que aborta à cadeia. Só se consegue com educação e colocando à disposição de toda a população, todos os métodos eficazes”.

NÃO HÁ OPÇÃO BOA

Ricardo Barini, por sua vez, reitera que a postura do serviço do Caism em relação à anencefalia é de acatar o desejo da paciente, depois de orientada por uma equipe multidisciplinar sobre o prognóstico da gravidez. “Eu digo a esta paciente que não existe saída boa, qualquer opção é ruim. Se ela prefere não interromper a gravidez por convicções pessoais, morais ou religiosas, é melhor mesmo que prossiga, pois o conflito emocional pode piorar a situação”.

Por outro lado, quando a paciente decide imediatamente pela interrupção logo após de avaliada, é aconselhada a pensar um pouco mais. “Para evitar uma decisão intempestiva, sempre sugerimos que a mulher vá para casa e reflita com o marido. Geralmente, ela não muda de posição, mas volta mais tranqüila para a internação e o procedimento”.

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