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Gripe suína
ago.2009

 

Delma Medeiros

10 de agosto de 2009 - textos completos
(Correio Popular, 10 de agosto de 2009)

Cidades
Grávidas evitam se expor ao vírus da gripe suína
Integrantes de grupo de risco, elas adotam ações preventivas

Delma Medeiros
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
delma@rac.com.br

Enquadradas pelas autoridades sanitárias como integrantes do grupo de maior risco para a nova gripe, muitas gestantes têm se precavido, evitado lugares públicos e até mesmo pedido afastamento do trabalho para ficarem o mais isoladas possível e tentar, assim, evitar a infecção pelo vírus influenza A (H1N1). Um exemplo é a dona de casa Lilian Ceregatti, de 24 anos, que está no sétimo mês de gestação do segundo filho e decidiu se isolar, literalmente. “Radicalizei mesmo, me escondi no meio do mato”, afirma. Lilian conta que foi seu médico, da cidade de Avaré, quem pediu que ela saísse de Campinas para se precaver contra a gripe suína, muito grave para gestantes. “Busquei mais informações e todos foram unânimes em afirmar que o risco é maior em grandes centros. Como temos uma fazenda em Avaré, achei melhor vir para cá com meu filho (de 2 anos e nove meses) até ter o bebê”, diz Lilian, que avalia que as autoridades de saúde passam informações contraditórias, o que colabora para deixar a população ainda mais insegura.

A bancária Laura dos Santos, de 25 anos, grávida de quatro meses e meio do primeiro filho, também comemora o fato de estar com férias vencidas e poder gozá-las neste período. “Trabalho ao lado do setor de câmbio, onde muitas pessoas vão trocar moedas, vindas de outros países. Estava muito preocupada em ficar ali nesta época de fim de férias e frio”, explica Laura. Antes de sair de férias, ela já havia tomado a providência de manter álcool gel ao alcance das mãos no trabalho. “Agora não estou saindo de casa. Praticamente todas as tarefas externas são feitas pelo meu marido, até supermercado”, conta, citando que o máximo que fez foi ir ao banco, que fica na esquina, e mesmo assim em horário de pouco movimento. Ela também colocou um recipiente com álcool gel na porta da casa para as visitas fazerem a higienização das mãos logo na entrada.

Para o ginecologista e obstetra Ricardo Barini, é sábia a atitude de gestantes de se resguardarem de uma possível infecção por influenza. “Não acho que seja paranoia. É uma atitude bem coerente, considerando que as grávidas são grupo de alto risco”, afirma. Barini diz que várias pacientes, professoras de escolas privadas que já encerraram o recesso escolar, têm solicitado licença para esperar passar esse período crítico de transmissão e o tempo esquentar antes de enfrentar as salas de aula. “É uma medida salutar. Quando a temperatura sobe, diminui a transmissão do vírus. Foi acertada a estratégia de adiar a volta às aulas. E é aconselhável que as gestantes mantenham esse afastamento até o tempo esquentar”, avalia Barini.

Conforme dados do Ministério da Saúde, mulheres grávidas respondem por 26,3% do total de mortes registradas no país por gripe suína. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as gestantes têm três vezes mais chances de desenvolver quadro de gravidade da doença. Para elas, a gripe suína pode também causar aborto espontâneo ou parto prematuro.

A FRASE
“As grávidas emergiram como um dos grupos com os quais estamos preocupados por ter mais risco de desenvolver sintomas sérios.”

KEIJI FUKUDA
Diretor assistente da OMS

SAIBA MAIS
Os grupos de risco

Grávidas: o corpo sofre mudanças durante a gravidez, o sistema imunológico fica prejudicado e a mulher fica com imunodepressão, portanto, mais vulnerável a doenças.
Obesos mórbidos: pela condição já tem dificuldade respiratória. Mas não se sabe exatamente porque têm risco aumentado para a nova gripe, o que não ocorre com a sazonal.
Idosos e crianças menores de 2 anos: têm o sistema imunológico mais comprometido.
Diabéticos: o metabolismo dificulta o funcionamento do sistema imunológico.
Cardiopatas: com a gripe pode descompensar a cardiopatia de base.
Doentes pulmonares: já têm dificuldade respiratória, problema agravado com a infecção por influenza.
Doentes renais: são imunodeprimidos, portanto, têm baixa imunidade (o mesmo vale para pacientes em tratamento de câncer e Aids).
Pessoas com hemoglobinopatia (anemia falciforme): têm maior dificuldade no processo imunológico de proteção, portanto, menos capacidade de defesa do organismo.

Fonte: médico sanitarista André Ribas de Freitas

Maternidade suspende curso de gestante

A gripe suína levou a Maternidade de Campinas a suspender um curso para gestantes previsto para ser iniciado no dia 3 de agosto. A justificativa é de que, como grávidas integram o grupo de risco para a infecção por influenza A (H1N1) com chances de quadros mais graves, não é aconselhável reunir várias delas em ambiente fechado. A alternativa foi suspender o curso até passar o período de pico de transmissão e de baixas temperaturas.
(DM/AAN)

Especialistas lembram a importância de cuidados

Falta de conhecimento sobre a doença aumenta a necessidade de prevenção

O infectologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Francisco Aoki diz que o número de pacientes afetados pela nova gripe ainda é insuficiente para definir alguma coisa do ponto de vista clínico-epidemiológico. “Não sabemos porque, mas é fato que pessoas jovens têm sido acometidas pela gripe e com grau importante de gravidade, o que não é habitual na gripe sazonal. No caso das gestantes, além de jovens, elas trazem em si um grau de imunossupressão pela própria gravidez. Então, são mais vulneráveis”, explica.

Segundo ele, para uma análise clínico-epidemiológica mais precisa, é indispensável uma avaliação mais ampla, com comparativos locais, regionais e em âmbito mundial. A prevenção, segundo ele, é de ordem geral, como evitar aglomerações e contato com pessoas com sintomas da doença, e não frequentar ambientes coletivos se também apresentar os sintomas de gripe, além de lavagem das mãos e outras medidas de higiene pessoal.

O ginecologista e obstetra Carlos Alberto Politano concorda que o que se conhece do influenza A (H1N1) ainda é insuficiente para entender seu comportamento e as causas deste risco aumentado para grávidas. “Mulheres grávidas têm imunidade diferente, por isso têm que estar ainda mais atentas a ambientes de risco. O melhor é evitar aglomerações. Se tiver que ir ao supermercado, por exemplo, deve-se optar por horários de pouco movimento.”

Segundo Politano, quem trabalha em locais de maior risco, como em serviços de saúde e escolas, por exemplo, deve se afastar, especialmente na fase final da gravidez. “Em pandemias, há relatos de mais abortos espontâneos e partos prematuros. Todos devem tomar cuidado e ficar atentos, mas particularmente as grávidas”, reforça, citando que alimentação saudável, atividade física adequada, intercalar alimentos sólidos com líquidos também são boas dicas para melhorar a imunidade.
(DM/AAN)

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