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Perguntas e respostas sobre a IIC (Incompetência ou Insuficiência Istmo Cervical)

O que é Incompetência Istmo Cervical (IIC)?

É um defeito do canal cervical que perde, ou não tem congenitamente, a capacidade de suportar o peso da gravidez sem se dilatar. Hoje, preferimos usar o termo “insuficiência” ao invés de “incompetência” do istmo-cervical.

Qual o índice de mulheres portadoras de IIC?

Em mulheres com aborto recorrente (mais que três abortos consecutivos) é de 23%. Na população geral não deve passar de 1%.

É possível detectar a IIC na primeira gestação, logo no início, ou é necessário ocorrer o aborto espontâneo tardio para suspeitar da IIC?

É possível suspeitar através de exames de ultra-sonografia. Como tem sido quase rotina a realização do ultra-som para a translucência nucal com 12-12 semanas, nesta fase já se realiza uma medida do colo uterino. Mas a época ideal para se investigar a IIC é a partir de 16 semanas, nos casos de pacientes já com a suspeita clínica por uma perda anterior ou por um parto prematuro precoce com história de dilatação silenciosa (sem dor). Nas pacientes sem antecedentes, essa pesquisa se faz agora na rotina do ultra-som de 20 semanas (chamado de morfológico). A verificação de um colo uterino curto (com menos que 2,5 cm) é indício de alto risco de prematuridade e pode ser o primeiro passo para se identificar a IIC em pacientes assintomáticas e sem antecedentes clínicos. Outra proposta, nos casos de dúvidas de diagnóstico e se fazer o exame com compressão do fundo uterino e verificando se aumenta o encurtamento ou o afunilamento do colo, ou se fazer o ultra-som transvaginal com a gestante em pé, o que imita a compressão do colo pela gravidade. Mas não há consenso na literatura médica sobre qual o melhor método para o diagnóstico da IIC na primeira gravidez.

Ouve-se falar em exames como histerossalpingografia, vela de Hegar número 8, vídeo histeroscopia para confirmação da Incompetência Istmo Cervical. Qual destes exames é o mais eficiente para confirmação do diagnóstico?

Outra dificuldade é saber qual o melhor método. Cada profissional uso o que se adapta melhor o o que sabe fazer. Todos são eficientes para o diagnóstico, mas não há um muito melhor que o outro, especialmente porque eles são solicitados quando já se tem uma suspeita clínica, e essa é o mais importante de todos.

Por que estes exames não são solicitados antes da paciente engravidar (tal como o papanicolau), para que esta não corra o risco de ter aborto espontâneo tardio?

Porque não há consenso da sua validade na prática clínica. O ultra-som na gravidez poderá vir a ser o mais usado com esse fim.

Por que mesmo depois de diversos abortos espontâneos após o 1º trimestre de gestação muitos médicos não suspeitam de IIC?

Por falta de experiência ou de conhecimento.

Existe o desconhecimento desta anomalia uterina por muitos médicos?

Sim, muitos profissionais desconhecem ou não valorizam a história clínica que nos faria pensar na IIC e deixam de fazer o diagnóstico a tempo.

Em média, quantos bebês as mulheres portadoras de IIC perdem (aborto espontâneo tardio), antes de ser detectada a IIC?

Pelo menos um, mas não há um dado preciso desse evento.

O que é a circlagem ou cerclagem uterina?

É a colocação de um fio de sutura no colo uterino para impedir sua dilatação antes do tempo desejado, isto é o termo na gestação.

A circlagem é indicada somente para mulheres portadoras de incompetência istmo cervical?

Sim, essa é a indicação precisa.

Qual o melhor período para se fazer a circlagem uterina em uma gestante portadora de IIC?

Sempre depois de 12 semanas e de preferência antes da 20ª semana.

Quais as melhores condições para se realizar a circlagem?

Colo não dilatado e sem sinais de infecções (o que deve ser confirmado por exames de culturas específicas)

Qual a diferença entre circlagem simples e circlagem dupla?

Uma usa um ponto apenas e a outra, dois fios. Na cerclagem dupla os pontos se somam na sustentação do colo, impedindo que o esforço do peso da gravidez rasgue o colo e force uma dilatação silenciosa.

É possível fazer circlagem antes de a paciente engravidar? Por quê?

É possível e é indicado nos casos mais graves, geralmente com uma lesão no colo uterino que impede uma cerclagem na gestação (por exemplo, uma paciente que tenha sido submetida a uma cirurgia de conização do colo ou uma amputação por câncer in situ, ou que tenha uma lesão traumática em outro parto).

Para uma paciente não portadora de IIC, qual seria a medida do colo uterino nas seguintes semanas de gestação: 12 semanas de gestação, 18 semanas de gestação, 24 semanas de gestação, 30 semanas de gestação?

Em qualquer idade gestacional sempre abaixo de 2,5 cm.

Existem diferentes graus da IIC? Existem exames para detectar o grau da musculatura uterina?

Não há uma classificação em graus, mas é aceito que a maior gravidade se associa ao parto ou aborto mais prematuro.

Por que muitas gestantes fazem circlagem e levam vida normal até o final da gestação enquanto outras têm que fazer repouso absoluto?

A recomendação de repouso absoluto depende de vários fatores: do passado de perdas em gestações anteriores com circlagem, das condições do colo uterino no momento da circlagem, da dificuldade do procedimento, do afrouxamento do fio de circlagem e da ocorrência de outras complicações como a ruptura de membranas e o trabalho de parto prematuro. Dependendo dessas condições será prescrito repouso absoluto ou não para a gestante. Um dos dados importantes nessa consideração é a resposta uterina ao procedimento. Algumas mulheres têm mais contrações uterinas após a cirurgia, enquanto outras têm uma adaptação melhor.

Na maioria dos casos a circlagem uterina por si só não basta, sendo necessário fazer repouso absoluto. Qual o percentual de mulheres que mesmo circladas tem que fazer repouso absoluto para conseguir levar a gestação a termo?

Não temos este dado em literatura, pois, como descrito, acima as condições em que é necessário o repouso são variáveis para cada caso.

Quais os fios utilizados para a realização da circlagem?

De maneira geral se utiliza um fio de material que não será absorvido pelo organismo como o algodão, polipropileno, ou poliestireno.

Em sua opinião existe algum fio que não seja apropriado ou que exista maior probabilidade do organismo rejeitar o material e causar infecção ou qualquer outro tipo de danos?

Os fios inapropriados são os de material absorvível ou de filamento único que podem lesar o colo uterino ao longo do tempo.

Qual a sua opinião sobre circlagem transabdominal? Em quais casos ela é realizada? Ela é mais segura do que a circlagem via vaginal?

A circlagem transabdominal é um procedimento indicado para mulheres que tem colo uterino ausente, impedindo a realização pela via vaginal, ou que tenham passado de sucessivas circlagens pela via vaginal sem sucesso. Ela não é mais segura que a circlagem vaginal, além de ser um procedimento mais complexo do ponto de vista técnico e com maior risco de complicações.

Quais as anestesias utilizadas para realização da circlagem?

De maneira geral se utiliza a anestesia loco-regional: raquídea ou peridural. Raramente é necessária anestesia geral.

Existem casos de mulheres que fizeram circlagem de emergência com até 27 semanas de gestação. Até quantas semanas pode-se realizar a circlagem?

Não se recomenda baseado nas evidências atuais, a realização de circlagem, mesmo de emergência, após 24 a 26 semanas. A partir desta idade gestacional os riscos do procedimento parecem ser maiores que os riscos do parto prematuro.

Toda mulher que possui o colo incompetente tem que colocar os óvulos de progesterona via vaginal? Para que eles servem? A partir de quantas semanas de gestação eles deverão ser utilizados?

Não há consenso se a progesterona deve ser usada por todas as mulheres que fizeram circlagem. A progesterona está indicada para mulheres que tem antecedente de parto pré-termo, ou seja, antes de 37 e depois de 24 semanas, ou que tenham colo uterino curto (menor que 25 ou 15 mm). Portanto, para as mulheres circladas com estes antecedentes a progesterona deve ser usada; para as outras não há consenso absoluto e a decisão deve ser individualizada para cada mulher.

O colo do útero é um músculo. Existem substâncias que são utilizadas para paralisarem o músculo, não só para a estética, mas em casos como paralisia facial, enxaquecas e outros. A enzima botulínica (botox), por exemplo, é uma substância utilizada para essa finalidade e tem uma duração média de 6 meses. Já se cogitou a utilização desta substância no útero de pacientes portadoras de IIC?

O colo uterino NÃO é um músculo. O colo é composto de tecido conjuntivo (uma matriz que sustenta as células), fibras elásticas e de colágeno, glândulas e poucas células musculares, portanto o botox não está indicado, pois não há base médica para seu uso. As alterações do colo em mulheres com insuficiência cervical estão relacionadas ao amolecimento e frouxidão, características relacionadas ao tecido conjuntivo e a quantidade de fibras elásticas e de colágeno.

Existem estudos em relação à criação de algum medicamento capaz de aumentar a musculatura uterina a fim de evitar abortos espontâneos tardios para as mulheres portadoras de IIC?

Como o colo não é um músculo, não há na literatura este tipo de estudo. Há estudos mostrando que mulheres com alterações congênitas do colágeno podem ter insuficiência cervical com mais freqüência.

Quem tem IIC pode usar o DIU?

Sim, não há manifestações clínicas de insuficiência cervical fora do período da gravidez.

Se considerarmos que em 1957, McDonald descreveu a técnica da circlagem por via vaginal para as mulheres portadoras da IIC e até hoje não houve nenhum avanço no sentindo de estudarem outras formas de se corrigir esta anomalia, podemos dizer que em pleno século XXI pouco a obstetrícia avançou e que nenhum esforço para se fazer uma nova descoberta foi feito até então?

A obstetrícia avançou no entendimento da fisiologia do colo uterino e das alterações que levam as perdas gestacionais, no processo que leva ao esvaecimento e dilatação do colo, na identificação de mulheres de maior risco através da avaliação ecográfica do colo durante a gravidez, na identificação das mulheres que NÃO se beneficiam e que podem na realidade serem prejudicadas por uma circlagem mal indicada (como por exemplo, gemelares), na evolução do conceito de tratamento cirúrgico (antes tido como panacéia e hoje indicado com mais critério). O tratamento disponível ainda é a circlagem e neste aspecto não houve avanços. Como diz um autor, o simples fato de que o tratamento disponível é amarrar um fio ao redor do colo mostra como ainda desconhecemos os aspectos mais profundos da insuficiência cervical. É preciso ressaltar que não há consenso no diagnóstico de insuficiência cervical muito menos no tratamento. Porém, há enormes dificuldades éticas em se estudar a estrutura do colo durante a gravidez: fazer biópsias de colo em grávidas para estudar é arriscado e eticamente indefensável. Os estudos têm que ser não invasivos (a ultra-sonografia é o pilar) e o avanço, em termos de tecnologia, que ainda não é aplicável na prática por estar nos primórdios de sua avaliação, é a ressonância magnética.

Por que a IIC não é propagada sendo que a cada dia que passa aumenta o número de mulheres portadoras desta anomalia?

Não há estimativas confiáveis do número de mulheres portadoras de insuficiência cervical, apenas da incidência desta em portadoras de perdas gestacionais de repetição. Não há evidências que o número de portadoras esteja aumentando. A importância da insuficiência cervical reside no impacto emocional que perdas de repetição causam nestas mulheres (aspecto que não pode ser negligenciado), nas seqüelas graves da prematuridade extrema associada aos partos muito precoces e na mortalidade destas crianças. A incidência, portanto, mesmo não sendo elevada ou crescente, é secundária, diante do grande impacto desta condição clínica na vida das mulheres e seus filhos.

 

Dr. Ricardo Barini

Concluiu o doutorado em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas em 1989. Atualmente é Professor Livre Docente da Universidade Estadual de Campinas. Publicou 65 artigos completos em periódicos especializados. Possui 12 capítulos de livros publicados. Participou de 84 eventos internacionais e nacionais. Orientou 10 dissertações de mestrado e 2 teses de doutorado, além de ter orientado 7 trabalhos de iniciação científica na área de Medicina. Recebeu 9 prêmios e/ou homenagens. Entre 1993 e 2001 coordenou 9 projetos de pesquisa. Atua na área de Medicina, com ênfase em Ginecologia e Obstetrícia. Em seu currículo Lattes os termos mais freqüentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: Medicina Fetal, diagnóstico pré-natal, ultra-sonografia, Diagnostico Pre Natal, aborto recorrente, alterações citogenéticas, auto-imunidade, biologia molecular, cirurgia fetal e Diagnóstico pré-natal.

Dr. Marcelo Luis Nomura

Possui graduação em MEDICINA pela Universidade Estadual de Campinas (1993), residência médica com especialização em Obstetrícia pelo departamento de Tocoginecologia da FCM - UNICAMP, mestrado em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas (2000) e doutorado em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas (2004). É especialista em Medicina Fetal, com certificado de atuação da FEBRASGO. Atualmente é médico assistente da Universidade Estadual de Campinas, médico nível 2 - Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Campinas, atuando como chefe do Ambulatório de Pré-Natal de Alto Risco da Maternidade de Campinas -Secretaria Municipal de Saúde desde 1998. Tem experiência na área de Obstetrícia, com ênfase em Saúde Materno-Infantil, atuando principalmente nos seguintes temas: gravidez de alto risco, complicações da gestação, prematuridade e medicina fetal. É mebro da Comissão Nacional de Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). É membro do Instituto de Medicina Materno-Fetal de Campinas, que oferece serviços de assessoria médica e interconsulta nas áreas de gravidez de alto risco e medicina fetal. É membro do comitê de ética em pesquisa da Maternidade de Campinas, Membro da Comissão de revisão de Óbitos Fetais e da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do CAISM-UNICAMP e da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar da Maternidade de Campinas.

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