O teste de crossmatch deve ser entendido de forma diferente para mulheres com aborto recorrente e para mulheres com infertilidade.
Nas mulheres com aborto habitual a falta de produção dos anticorpos bloqueadores significa que o casal tem um excesso de compatibilidade imunológica. Isto resulta em uma dificuldade em iniciar a resposta de adaptação à gravidez. Essa dificuldade pode ser corrigida pela imunização da mulher com leucócitos do seu companheiro.
Nos casais com falhas de implantação em reprodução assistida, o resultado do crossmatch negativo não significa uma patologia, mas é interpretado como um desequilíbrio na resposta imune em que a mulher estaria tendo uma resposta imune com tendência a agressão imune contra a unidade feto-placentária (Th 1) e não de aceitação da gravidez (Th 2).
Se você é portadora de infertilidade e não foi submetida a nenhum tratamento de reprodução assistida, não há porque se submeter a um teste de crossmatch. Nenhuma mulher terá crossmatch positivo antes de uma gravidez, salvo se tiver sido submetida a transfusões de sangue no passado.
O tratamento imunológico com imunização com leucócitos paternos tem como objetivo a produção de anticorpos bloqueadores que para a mulher com aborto recorrente irão permitir a manutenção da gravidez. Para a mulher com falhas de implantação em reprodução assistida o mesmo tratamento tem como objetivo o equilíbrio da resposta Th1-Th2 que favorece o processo de nidação ou implantação embrionária.
Ricardo Barini, 17.10.2006.







